| TEXTOS
Alfred Sohn-Rethel |
| Prefácio |
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O trabalho intelectual de minha vida até o nonagésimo aniversário serviu para esclarecer ou decifrar uma visão meio intuitiva, que me coube elaborar em 1921 em meu estudo na Universidade de Heidelberg: o descobrimento do sujeito transcendental na forma mercadoria, um axioma condutor do materialismo histórico. Um esclarecimento satisfatório desse axioma pode ser alcançado somente como resultado final de ataques sempre novos, titulados Exposés (Exposição). Distingo sete de tais ataques:
1937: Liquidação crítica do apriorismo. Em Paris sob o influxo de Th. Adorno e de Walter Benjamin. "Exposé" de Paris. 1950: Intellectual and Manual Labour (Trabalho Intelectual e Manual). Escrito em Birmingham, não publicado. O "Exposé" inglês. 1961: Warenform und Denkform (Forma Mercadoria e Forma de Pensamento), tentativa de uma explicação social da origem da razão pura. Publicado na Revista da Academia da Universidade Humboldt, Berlim (DDR). "Exposé" de Berlim. 1970: Geistige und körperliche Arbeit (Trabalho espiritual e corporal). 1976: Das Geld, die bare Münze des Apriori (O dinheiro, a moeda líquida do a priori). O "Exposé" de Bremen. 1989: Geistige und Körperliche Arbeit. Epistemologie der abendländischen Geschichte (Trabalho espiritual e corporal. Epistemologia da história ocidental). Nova edição, revista e completada, de "Trabalho espiritual e corporal". Decifrar o estado de coisas (fechado) da síntese funcional de nossa sociedade ocidental possibilita ao mesmo tempo a reconceptualização da filosofia ocidental. Adorno formulou a grandiosa proposição: o materialismo histórico é a anamnese da gênese; que este entendimento - que destrói o platonismo - chegue à elegância do próprio platonismo, atesta o espírito de Adorno. Na pesquisa aqui apresentada trata-se portanto da alternativa entre epistemologia idealista ou materialista. Enquanto a idealista (algo assim como na exposição de Kant) se apresenta como nexo de invenções, a materialista só pode repousar sobre um nexo de descobertas. Marx não fundou nenhuma interpretação materialista do conhecimento científico, mas pagou seu tributo àquela dominante a seu tempo, fundada por Kant e Hegel. A análise marxiana no começo de "O Capital" analisa a economia política, mas não se questiona sobre a possibilidade de síntese social em sociedades, que repousam no princípio da propriedade privada. Diante disso, meus estudos dirigem-se exatamente à pesquisa do nexo social - por essa mudança de temática o questionamento político-econômico torna-se sociológico. Contudo, eu quereria salientar, que a passagem de economia à sociologia não foi de nenhuma maneira o ponto de partida., que me moveu à remodelação da análise marxiana da mercadoria. Só por ocasião de uma palestra sobre "Forma mercadoria e forma do pensamento" à Universidade Humboldt em 1958, eu reconheci, que Marx tinha descuidado de seguir nesse ponto sua primeira Tese sobre Feuerbach, onde se trata da pesquisa do nexo violento que formam as sociedades ocidentais. As teoria idealistas do conhecimento, as quais esbarram no obstáculo de não poder elas mesmas explicar o poder das sínteses espirituais, têm sua verdade aparente no fato de que a eficácia sócio-sintética dos sujeitos individuais permanece totalmente escondida para eles mesmos: essa eficácia é hipostasiada pelas teorias idealistas do conhecimento como "sujeito transcendental". Se nós, ao contrário, seguirmos o fio da meada da praxis social real, deveria ser possível fundar uma teoria materialista do conhecimento, a qual só pode ser histórica. Bremen, Agosto 1989 Alfred Sohn-Rethel Quereria
agradecer meus colaboradores Karim Akerma e Udo Casper, que tornaram possível
esta edição com o apoio da Stiftung für Philosophie (Fundação
para a Filosofia), de Mönchengladbach, e da Universidade de Bremen.
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