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TEXTOS
Karl Marx |
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A troca de trabalho vivo por trabalho objetivado, isto é, a posição do trabalho social sob a forma de oposição entre capital e trabalho assalariado, é o último desenvolvimento da ralação de valor e da produção apoiada sobre o valor. Seu pressuposto é e permanece a massa de tempo de trabalho imediato, o quantum de trabalho empregado como fator decisivo da produção de riqueza. Na medida em que a grande indústria se desenvolve, a criação de riqueza efetiva torna-se menos dependente do tempo de trabalho e do quantum de trabalho utilizado do que do poder dos agentes postos em movimento durante o tempo de trabalho, poder que, em seu powerful effectiveness [poderosa efetividade], não mantém relação com o tempo de trabalho imediato demandado por sua produção, mas [essa criação] depende muito mais do estado geral da ciência e do progresso da tecnologia, ou seja, da utilização dessa ciência na produção. (O desenvolvimento dessa ciência, em particular ria ciência natural e com ela de todas as outras, está diretamente relacionado cem o desenvolvimento da produção material.) A agricultura, por exemplo, toma-se mero emprego da ciência de câmbio recíproco dos materiais, na forma mais favorável à regulação do corpo social como um todo. A riqueza efetiva manifesta-se muito mais – como nos revela a grande indústria – num imenso desequilíbrio entre o tempo de trabalho empregado e seus produtos e também no desequilíbrio qualitativo entre o trabalho reduzido a uma pura abstração e a violência do processo de produção por ela assegurada. O trabalho já não aparece tanto como encerrado no processo de produção na medida em que o homem se comporta muito mais como vigilante e regulador do processo de produção. (O que vale para a maquinaria também vale para a combinação da atividade humana e para o desenvolvimento das relações humanas.) Já não é o trabalhador que introduz a coisa natural modificada como elo entre si mesmo e o objeto, mas o processo natural, que ele transformou em processo industrial, é introduzido por ele como meio entre si próprio e a natureza inorgânica que ele domina. Ele comparece ao lado do processo de produção em vez de ser seu agente principal. Nessa transformação, não é nem o trabalho imediato, executado pelo próprio homem, nem o tempo que ele trabalha, mas a apropriação de sua própria força produtiva geral, seu entendimento e dominação da natureza por meio de sua existência como corpo social — numa palavra, o desenvolvimento do indivíduo social é o que aparece como o pilar fundador da produção e da riqueza. O roubo do tempo de trabalho alheio, sobre o qual hoje se assenta a riqueza, parece um fundamento miserável se comparado com a nova riqueza gerada pela grande indústria recentemente desenvolvida. Tão logo o trabalho, na forma imediata, tenha deixado de ser a grande fonte da riqueza, o tempo de trabalho deixa e precisa deixar de ser a sua medida, e portanto o valor de troca, [a medida] dos valores de uso. O sobretrabalho das massas deixa de ser condição da riqueza em geral, assim como o não-trabalho de poucos [deixa de ser condição] do desenvolvimento dos poderes gerais do cérebro humano. Com isso entra em colapso a produção apoiada sobre valor de troca, e o processo de produção material imediato despe-se ele próprio da forma da necessidade premente e do antagonismo (die Form der Notdürftkeit und Gegensätlichkeit abgestreift). Não é a redução do tempo de trabalho necessário ao sobretrabalho, mas a redução do trabalho necessário à sociedade a um mínimo, o tempo tornado livre para todos os indivíduos e os meios criados que possibilitam a educação artística, científica etc. necessária ao livre desenvolvimento das individualidades. O capital é ele mesmo a contradição em processo, conforme impede que o tempo de trabalho se reduza a um mínimo e, simultaneamente, torna o tempo de trabalho a única medida e fonte da riqueza. Por conseguinte, ele diminui o tempo de trabalho sob a forma necessária para multiplicá-lo sob sua forma supérflua. Neste sentido, transforma e supérfluo em medida crescente como condição — question de vie et de mort [questão de vida e de morte] para o [trabalho] necessário. Se, de por um lado, ele apela para todas as forças da ciência e da natureza para as combinações e intercâmbios sociais com o objetivo de tornar a criação da riqueza independente (de modo relativo) do tempo de trabalho empregado para sua criação; por outro lado, ele pretende medir pelo tempo de trabalho, as imensas forças sociais assim geradas e impeli-las aos limites requeridos para manter o valor já criado como valor. As forças produtivas e as relações sociais ambas diferentes aspectos do desenvolvimento do indivíduo social aparecem ao capital apenas como meio e são para ele apenas um meio para produzir, partindo de seus fundamentos limitados. Na verdade, porém, elas são as condições materiais para explodi-lo. "É verdadeiramente rica uma nação quando se trabalham seis horas em vez de doze. A wealth [riqueza] não é comando do tempo sobre trabalho (riqueza real), mas disposable time [tempo disponível] além daquele utilizado na produção imediata para cada indivíduo e para a sociedade como um todo."(1). 1 - The Source and Remedy etc.,
1821, p. 6.
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